Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA SANTA CATARINA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Livros, Música



Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 Homem Nerd (site sob cultura Nerd)
 Poesias Flávio
 Tabua de Marés - Márcia Maia
 Mudança de Ventos / Márcia Maia
 Literatus - Angel Blue
 Olho Clínico - Fabão
 Blog da Andreia (Padrinhos Mágicos)
 Proseando com Mariza
 PD-Literatura
 Agrestino - Manoel Carlos
 A Mosca do Bolo - Edu Funicelli
 Verso e Reverso - Esther
 Dira
 As cartas de Elise
 Lendo e Relendo - Lenise Resende
 Blocos
 Rhumor / Felipe Cerquize
 CD Léguas - Felipe Cerquize
 Carlos Meireles, Bibliófilo
 The Beatles - Carlos Edu
 Blog da Linda Maria
 Távola Literária
 Officina do Pensamento
 Relicário - Elis Marchioni
 Palavrap - Ana Peluso
 Fala poética - Nel Meirelles
 Clareando Idéias - Monica Carone (Claraluz)
 Retalhos e Pensamentos
 Ponto Ge (blog da Georgia)
 Entre nós e laços
 Palavras ao Vento
 Alfabeto
 Loba, corpus e anima
 Na toca da Loba
 Salada Seleta
 Ene Coisas
 Bjron Lynne - Musica Medieval e de Fantasia
 The Internet Renaissence Band (musica Medieval e da Renascença)
 Officina do Pensamento
 Sol da Manhã
 Sonnen




Sombras e Sonhos
 


Marcas no pescoço

 

Assustou-se ao ver uma mancha roxa no pescoço da irmã, mas não perguntou nada.  

 

Ele só tinha oito anos, mas sabia tudo sobre aquilo: sua irmã tinha sido atacada por um vampiro.  

 

Isso explicava o comportamento estanho dela, desde que fizera dezesseis anos: dormia até tarde, irritava-se com a luz solar e saia muito à noite. Sua mãe não ligava, e dizia, quando ele manifestava suas suspeitas, que era apenas adolescência. Que ele entenderia quando chegasse sua vez.

 

Talvez a mãe soubesse do estado da filha e estivesse escondendo. Ficou preocupado com o “quando chegasse sua vez”. Viraria um vampiro também? Talvez sua mãe também fosse uma. Mas ela sempre levantava cedo para levá-lo à escola. Mas e aquele livro que sua irmã lera que tinha vampiros que brilhavam sob o sol?

 

O jeito era descobrir. Alho, estaca e crucifixo? Sua irmã detestava alho! Mas espere! Ele também! E desde sempre. E ele ainda não era um vampiro! Portanto o alho não servia pra nada.

 

A estaca, só como último recurso. Mesmo que a irmã fosse um vampiro, nunca iria lhe espetar uma estaca no coração (  na realidade, a estaca era um pedaço de cabo de vassoura, apontado a facão, como um lápis). Restava o crucifixo. A avó lhe dera um grande, por conta da primeira comunhão.

 

Ficaria esperando quando ela voltasse de uma de suas saídas noturnas, a surpreenderia e mostraria o objeto religioso. Levaria a estaca também, por via das dúvidas, caso ela o agredisse.

 

Foi que fez. Ficou escondido na sala, atrás da cortina, esperando que ela abrisse a porta. Ela chegou, mas não estava sozinha. Um rapaz todo de preto a acompanhava. Os dois, ainda na penumbra, sentaram-se no sofá. E logo começaram os abraços e beijos. Foi quando ele procurou novamente o pescoço da moça. O garoto não se conteve. Com um urro pulou de trás da cortina, bradando crucifixo e a estaca.

 

O rapaz levou um susto e berrou:

 

– Quem é esse maluco?

 

– É o meu irmão! – respondeu a garota.

 

Ele olhou para o menino, cheio de pavor, e continuou gritando:

 

– Eu que não fico nem mais um minuto aqui!

 

E saiu correndo pela porta de entrada.

 

A irmã se voltou pra ele fula! Ela queria estrangulá-lo, gritando:

 

– Seu moleque do capeta! Você espantou meu namorado!

 

– Seu namorado? Pois ele é um vampiro! – retrucou o menino.

 

A gritaria acordou sua mãe, que apartou a briga com um sabão bem dado nos dois. Quando tudo ficou mais calmo, o garoto contou à mãe o motivo da briga. A marca roxa. A senhora gargalhou, deixando o menino perplexo e explicou:

 

– Isso é um marca de um beijo um pouco mais afoito do rapaz. Sua irmã permitiu alguns avanços demais (depois eu acerto com você, mocinha!) do namorado. Não é o beijo de um vampiro!

 

O garoto, envergonhado, voltou para a cama. Não perturbaria mais a irmã, mas ainda deu um ultimo olhar desconfiado pra ela, antes de subir pro quarto.

 

No dia seguinte, a mãe e a moça foram procurar o namorado, para esclarecer “algumas coisinhas”. Chegaram ao endereço que ele fornecera e encontraram uma casa abandonada. Um arrepio percorreu o corpo das duas...

 

Álvaro A. L. Domingues

 



Escrito por Alvaro A. L. Domingues às 21h55
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]