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Fanfic da Luluzinha

O Dia da Lagarta
Inspirado em Luluzinha
Alvaro A. L. Domingues

Querido diário,

Estou aqui no meu quarto de castigo! Imagine só, o que tenho que fazer!

Um trabalho sobre lagartas!

Sabe o que é, mamãe quis um dia ser professora e acabou virando contadora. Então ela me dá castigos como se fossem trabalhos de escola! É chato, mas é melhor que lavar toda a louça do jantar como minha amiga, a Aninha. E a mãe dela nem queria ser dona de restaurante...

E tem seu lado bom. Professora e mãe pensa tudo igual. E um dia uma delas vai pedir isso de novo e eu já fiz.

Eu sei que eu devia estar lendo o livro de ciências em vez de estar escrevendo em você. Minha mãe disse que não posso sair do quarto enquanto eu não terminar. E hoje vem a chata da Glorinha com sua mãe mais chata ainda jantar em casa. E minha mãe acha que está me punindo me deixando longe dela!

Você deve estar morrendo de curiosidade, não é? Quer saber o eu aprontei hoje para ganhar um castigo desses, não é?. Bom, mamãe tem verdadeiro horror a estes bichos e eu sei disso. Mas eu, não! O Bolinha diz que isso tá errado, e que meninas sempre têm medo de bichinhos com muitas patas ou viscosos.

Não tenho medo, nem nojo e até gosto delas. Talvez até pra ser contra o Bolinha. Ou porque a Glorinha tenha medo delas. Foi por isso que catei uma lagarta no jardim e levei para casa. Confesso que a minha primeira ideia foi por o bicho no pescoço da Glorinha na sala de aula. Mas aí fiquei com dó da futura borboleta. Tá vendo? Eu até já sei como termina o trabalho!

Levei a lagarta pro meu quarto e coloquei numa caixa de sapatos. Tive que pegar algumas folhas de alface da geladeira. Uma coisa que sempre achei chato na vida das lagartas: elas só comem verdura!

Só que eu me esqueci que papelão um dia tinha sido verdura e a lagarta comeu minha caixa. O Bolinha diz que não, que lagarta só come verdura fresca. Não interessa quem fez o buraco, só sei que ela fugiu. Procurei no meu quarto e não encontrei. Desci as escadas e fui à sala. Era um domingo à tarde e meu pai, como de costume, estava dormindo no sofá. A lagarta estava andando na testa dele. Ainda meio dormindo, ele ia dar um tapa nela!

Dei o maior berro!

– Papai! Não mate a Clotildes!

Minha mãe correu ver o que era. Ela, ao ver a lagarta na testa do meu pai, deu um grito maior que o meu. Foi tão forte que alguns vizinhos vieram acudir.

O susto que eu dei nele, na minha mãe e nos vizinhos gerou este castigo. A Clotildes, coitada, foi morta a chineladas. Vou colocar no meu trabalho que é feio matar a chineladas espécies ameaçadas de extinção.

 



Escrito por Alvaro A. L. Domingues às 09h19
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